X – Daquela caixa de fósforo

E quando a gente se vê?

Agora.

Não, quando a gente se vê de novo?

Agora.

Coro: e tinha o que pra responder?

Ficar sozinho leva tempo. Requer muitas sessões de não ter o que fazer mas você ainda está acordado e então vai dar banda pelo caminho de terra até parar num lugar que não existe para fumar um cigarro. O cachorro da casa te acompanha. Vira-lata dos melhores.

Segue pros dois lados, o caminho, e não faz qualquer diferença. Tudo ao redor é seu, completamente sozinho em noite de estrelas agressivas e torres de cupim. Faz frio, porque em todo lugar uma hora ou outra faz frio, e do teu mijo na grama sobe vapor quente.

E ali está, três horas de sereno com mosquito o tal do autoconhecimento. Falar com quem? O cachorro segura meia hora, depois fica óbvio demais não haver o que fazer senão se discutir ou treinar o perceber. Mergulha em si sem oxigênio.

O ar some numa profundidade de se arrancar pedaços. Ferramentas excelentes, as mãos, colhem escamas das costas e traz aos sentidos. Na palma possui de tanto olhar um naco que já era teu só para descartar deitando fora suas camadas num chão de terra que é igual a você e a todas coisas descamadas sob o signo de Virgem.

Até que o sereno embala e o mundo já tá te suspirando mesmo, amanhã é outro dia. Amanhã chove ou não chove só que depois de um filme dos Trapalhões o auditório ao vivo já demais e novamente hora de sentar pra olhar janela bem ali acompanhando realidade.

As telhas daquela varanda tem um formato onde a água pode fazer ou não desenho particularmente tétrico na terra se pensasse falava que bosta de lama mas não pensa e se emociona com relevo marciano no chão do Tocantins.

Busca não encontra sentido no existir tanta coisa, não dá, não faz razão tanta pingo dágua tanta casa de gente, muito lugar pra deixar pedaços teus nacos começam a fazer falta carrega gente demais nas costas, realidade demais para levar parar beber e o mundo pesa até rasgar.

Longe, múltiplo, desarticulado como o diabo. Nada fixa nos caminhos do mundo.

Quando você volta?

Acho que nunca mais.

Eu vou poder te guardar naquela caixa de fósforo?

Vai.

Coro:

~ por Breno Castro Alves em 27/06/2009.

2 Respostas to “X – Daquela caixa de fósforo”

  1. e carrega-la por todas as ruas lindas de Praga?

  2. hein
    mais pra marcar presença: li tudo. mas falta mais, agora tem que ir até o fim.
    mas digo hoje um boa-dorte-lugar-comum, pq não tenho muita outra coisa pra dizer.

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